MCs gaúchas ganham até R$ 16 mil por final de semana

O funk nunca foi considerado um gênero “nobre” da música e talvez por isso se popularizou entre todas idades e classes sociais. Agora, a carreira dos funkeiros é cada vez mais precoce e surgem MCs e produtores que começam a ganhar dinheiro e fazer sucesso antes da maioridade. Mas o negócio está longe de ser infantil. Com talentos embalados pela popularidade adquirida com vídeos caseiros postados na internet, são feitos de três a cinco shows por final de semana, com cachês que variam entre R$ 500 e R$ 2 mil por apresentação.
É o caso das gaúchas Dudinha, que com 14 anos se espelha no sucesso da carioca Pocahontas, ícone do funk ostentação, e Mali, 17 anos, que embalada pelo destaque que ganhou no programa Astros, do SBT, passou a ser a aposta da Sony Music para assumir o posto do fenômeno do funk Melody Anitta.
A procura de talentos cada vez mais jovens é uma estratégia dos produtores que agora miram o público ainda dentro das escolas. “De preferência, pegamos MCs mais novos, de colégio e etc. Que possam expressar tudo aquilo que a gurizada quer falar”, diz o diretor da produtora SK8, Douglas Schenato, 18 anos, que trabalha há três anos com funk, afirmando que MCs como Dudinha -  gerenciada por ele - “expressam bem a voz das meninas colegiais, falando que elas são o poder, que não precisam chorar, que elas têm carro, dinheiro e muita ostentação”, afirma. 
O “melody” e o “ostentação” são os estilos de funk que mais têm conquistado espaço. O primeiro é mais ameno, toca em novelas e rádios, com grandes nomes como Anitta e Naldo. Já o segundo não tem tanta abertura na mídia tradicional, mas é muito popular, principalmente entre os jovens, com suas letras que falam sobre ostentar dinheiro com carros, motos, champanhe na balada, correntes de ouro e mulheres, tudo encenado em vídeos que somam milhões de acessos.
Mali é representante dessa vertente mais “amaciada” do funk, mas isso não quer dizer que falte modéstia – ao menos de seus produtores -, que colocam essa gaúcha de São José do Norte como a próxima Anitta. Empresariada por MC Koringa - que teve músicas tocadas em novelas globais - e amparada pela Sony Music, ela já gravou um EP com sete músicas. Seu single de trabalho é Sou Poderosa, uma clara referência ao Show das Poderosas, de Anitta. 
“Sempre vai ter comparação, porque não tem tantas mulheres novinhas no mercado. Quando a gente começou, já sabia que isso ia acontecer porque trabalhamos com o mesmo estilo, embora tenha músicas bem diferentes das dela. Mas não vejo problema nisso”, afirma Mali, que ainda não começou a fazer shows para fazer decolar seu nome.
Mas paralelamente ao sucesso tradicional o funk “Ostentação“ abre seu terreno sem tantos recursos financeiros de produção, mas com grande propagação no principal meio de interação dos adolescentes: as redes sociais. Isso tem rendido frutos com até oito shows por final de semana e cachês que variam de R$ 500 a R$ 2 mil.
Esse é o momento pelo qual passa a jovem MC Dudinha. Aos 14 anos (e sem deixar a menor dúvida da idade que tem), ela conseguiu espaço postando um vídeo caseiro na rede, com a ajuda do irmão. “Meu irmão sempre gostou de funk, daí a gente fez um vídeo caseiro e botou na internet... Muita gente gostou, pediu para que eu investisse. O público gostou de mim e eu quero agradar o público”, diz a adolescente. 
Aos 14, MC Dudinha comemora sucesso como funkeira
Logo em seguida ela foi encontrada pela produtora SK8 e já lançou duas músicas Vem Novinho e a mais recente, Bandida Patroa. A popularidade começou a crescer e ela começa a sentir os efeitos na escola, no Facebook e na rua. “Esses dias, fui no mercado que tem no bairro aqui do lado e um menino me